outubro 28, 2005
Crianças na Presidência!

Têm sido publicados diversos documentos com números curiosos acerca da natalidade, dos pais e dos filhos. Alguns- reconheço – apresentam-nos de uma forma que me preocupa.
Compreendo a preocupação de quem gere os benefícios sociais com o número, cada vez mais diminuto, de cidadãos activos que contribuem para os benefícios sociais dos reformados. E entendo que Portugal tem convivido, numa negligência incompreensível, com a ausência de uma lei de bases da família e da criança, que nos permita perceber a que ideias fundamentais o Estado recorre para desenhar uma política de educação ou de saúde para os pais e para os filhos, por exemplo. Mas que se diga que seriam necessárias mais 152 crianças por dia (ou um acréscimo de 55 mil bebés todos os anos) para se «equilibrar o ciclo de vida» já me incomoda porque, de repente, sinto que se fala de menos no gosto de sermos pais enquanto os bebés parecem assumir-se como um garantia de reforma. Ou, no lugar de uma política de apoio à natalidade, eles surjam como uma espécie de poupança-reforma.
É verdade que terão nascido, no ano passado, em Portugal, menos de 115 000 bebés. E que a população infantil e juvenil tem vindo a decrescer desde os anos 40. (Não fosse o terço das novas crianças da união europeia, ter nascido, no ano passado, fora do casamento, e esses números seriam mais assustadores…) Mas, curiosamente, Portugal continua a dedicar uma magra percentagem do seu produto interno bruto no apoio à maternidade e à paternidade. As percentagens que se deduzem no IRS, dos gastos com a educação, levam a supor que devíamos educar as crianças numa loja dos trezentos. O apoio à família, no formato tradicional (como nas suas transformações mais recentes) peca por inúmeras omissões. Um infantário custa mais, em muitos casos, do que as propinas de algumas universidades privadas. E, como se não bastasse, algumas instituições (que perfilham os valores da família) quando contratam novos trabalhadores, discriminam as mulheres, como uma condescendência absurda.

Mas também as crianças são o alvo de uma ausência gritante de uma política para a infância. Se pensarmos que existem em Portugal cerca de 18 000 crianças privadas de família (que, em custos directos, fazem com que o Estado despenda com elas milhões de contos, sem os ganhos significativos que o seu direito a uma família devia merecer) e que, todos os anos, as comissões de protecção de crianças e de jovens em perigo sinalizam alguns milhares de outras (enquanto, no ano passado, não chegou a haver 400 adopções) conclui-se que, apesar do número cada vez menor de criança nascidas no nosso país, o Estado faz crescer, todos os anos, duma forma arrepiante, as crianças sem projecto de vida. Menos crianças não tem significado melhor infância.
É por isto (e por muito mais) que criámos um Sindicato das Crianças. E reclamamos que, apesar das crianças não votarem nele, o próximo Presidente da República não deixe de votar nas crianças.
EDUARDO SÁ
visite-nos também em www.sindicatodascriancas.com
Publicado por Sindicato das Crianças às 10:25 AM | Comentários (1)
outubro 26, 2005
Repto ao próximo Presidente da República

Lançamos um repto ao próximo Presidente da República.
Desafiamo-lo para fazer, sem perdas de tempo, uma Semana Aberta, Presidência Aberta, ou qualquer outra iniciativa do tipo, sobre a Criança em Portugal.´
Mas que não seja "mais do mesmo", com corta-fitas, visitas a escolas e festinhas na cabeça dos meninos, discursos circunstanciais ou pomposos e "muita festa e pouco sumo".
Pelo contrário: que mostre as boas e más práticas. Que revele as actuações e estruturas de excelência, mas que ponha o dedo nas feridas mais dolorosas e graves da população infantil. Que denuncie o que um país com o grau de desenvolvimento do nosso não pode mais tolerar.
Estamos à disposição, Senhor Futuro Presidente. E como nós, milhões de pais, profissionais e cidadãos que, diariamente, cuidam das crianças portuguesas, neste paradoxo que é estarmos a perder a população infantil e juvenil e, simultaneamente, pouco se fazer para a promoção da Criança e apoio aos pais e às famílias.
É só enviar um e-mail!
Publicado por Sindicato das Crianças às 12:11 AM | Comentários (2)
outubro 25, 2005
Começámos

Começámos hoje as nossas actividades.
No Centro Cultural de Cascais, démos a primeira Conferência de Imprensa, na qual nos apresentámos e afirmámos as nossas intenções.
Esperamos, a partir do site e do e-mail (sindicato-d-c@netcabo.pt) poder trabalhar com todos os que querem ver a Criança dignificada e respondidas as suas necessidades e direitos.
Não somos um contra-poder nem um "bando de agitadores", mas cidadãos que, apenas com os seus meios, querem dar uma contribuição para que alguns dos problemas que não são, por diversas razões, falados ou debatidos, o sejam sem entraves nem constrangimentos.
Como o recreio escolar ou os trabalhos para casa. Como as longas caminhadas que as crianças pequenas têm que fazer para a escola e as ementas dos refeitórios e cantinas. Como as crianças institucionalizadas ou as leis que não têm regulamentação ou fiscalização na área dos acidentes infantis. Como tanta outra coisa...
Quem quiser juntar-se a este grupo informal, faça-o através do e-mail. Manteremos com os interessados um diálogo proveitoso e útil, com vista à promoção do bem estar da Criança.
Publicado por Sindicato das Crianças às 04:02 PM | Comentários (15)
Aqui estamos!

Visite também o nosso site: www.sindicatodascriancas.com
Porquê o Sindicato das Crianças?
Apesar de todas as melhorias que se têm verificado a vários níveis, Portugal não tem sido um país amigo das crianças. Não lhes dá a constância de cuidados que elas merecem, nos mais diversos níveis da educação. Tem sido desatento, em muitas atitudes da justiça para com elas. E vai promovendo omissões inquietantes, nos cuidados sociais e de saúde que lhes proporciona. A prática tem estado mais virada para o remediar das consequências decorrentes dos riscos e perigos que ameaçam a vida e o bem estar da Criança, do que para a prevenção e para a intervenção precoce. A ética do cuidar fica, muitas vezes, esquecida perante interesses, lobbies e pressões (com muita ignorância e arrogância pelo meio) que nem sequer imaginam que possam existir crianças, com necessidades a ser satisfeitas. E com direitos a ser salvaguardados. E com desígnios a ser cumpridos.
Mas acreditamos que o nosso País pode evoluir, de forma a que, cada vez mais, seja um privilégio nascer, crescer e viver em Portugal.
Foi por isso que criámos o Sindicato das Crianças, tentando defendê-las, chamar a atenção para situações que as lesam e dar espaço a que a sua voz se oiça.
Ana Maria Galvão Lucas
Clara Sottomayor
Eduardo Sá
Isabel Stilwell
Mário Cordeiro
A partir de agora estaremos plenamente operacionais, com ideias para debate e discussão, e tentaremos agitar as consciências, as práticas e as rotinas. Pelas Crianças, com elas e para elas.
Publicado por Sindicato das Crianças às 12:48 AM